Desde os idos tempos, questiono-me sobre a verdadeira necessidade de uso dos famosos "solids" na criação de marcas. Seria falta de aprofundamento na busca por uma solução diferenciada e, consequentemente, mais original? Seria uma resolução simplista de um problema maior? Preguiça? Ou, quem sabe, pura e simples necessidade? Sempre que observo marcas compostas por estes elementos ("solids"), sejam eles coloridos ou PBs, fico me desafiando a encontrar justificativas aceitáveis para sua utilização. Dentre algumas delas, separei estas cinco:
1. O uso do "solid" se justifica pela criação de uma grande área de cor, que visa a atrair a atenção do público para um ponto específico.
2. Alinhados e simétricos, os "solids" transmitem solidez (rerere... “solid” x solidez, entenderam?)
3. Eles servem como uma margem de segurança, preservando a legibilidade da marca em diversas aplicações e situações.
4. Deslocados, inclinados, com cantos arredondados simétricos ou assimétricos, podem dar um toque de modernidade, dinamismo e versatilidade ao conjunto.
5. Podem trazer sobriedade e classe à marca, se bem definidos seus alinhamentos e áreas de descanso visual.
É, indiscutivelmente, uma ferramenta das mais interessantes e úteis no dia-a-dia dos criativos, mas exige muito cuidado e critério na sua aplicação. Um deslize, um pouquinho de preguiça ou mesmo uma avaliação malfeita e, pronto, seu trabalho, de magnífico, passou a bestial. E depois não vai adiantar ficar defendendo, que não vai colar, afinal, a gente percebe claramente a diferença entre quem sabe e quem pensa que sabe o que está fazendo.
Clap, clap, clap…
ORANGE - Se analisada superficialmente, passaria fácil como uma daquelas soluções simplistas citadas acima. Não é o caso.
FNAC - A inclinação e o “F” alegórico tornam a marca polarizada. Ou gostam ou odeiam. Eu gosto, mas o desenho do “F” merece uma revisão e alguns ajustes.
GAP - Alinhamento: OK, cor: OK, simetria: OK, nome: OK, tipologia: OK. A criação desta marca deve ter sido muito parecida com um check-list de decolagem de aviões: todos os itens aprovados, decolagem autorizada. Não erra, mas também não ousa.
BASF – Visualmente, o conjunto é bem resolvido e agradável. Acho dispensável a frase “The Chemical Company". A variedade de cores (são 6 no total) dá bastante versatilidade à marca, muito boa.
Bleargh...
APRILIA - Faltou sensibilidade, e como resultado, tivemos uma marca “colegial”. Lembram do check-list do avião citado anteriormente? Lá deu certo, aqui não.
AMERICAN EXPRESS - A personalidade da tipologia conflita claramente com o uso do “solid”. Talvez uma atenuada na linha de contorno do nome pudesse ajudar. Talvez...
ITAÚ - Uma marca que não pára, evolui rápido e está sempre em destaque. Justamente por isso, acredito que precisa ousar mais. Só pequenos ajustes de tipologia e cores já não são suficientes como antes. Coragem Itaú!
NATIVE – Normalmente, os “solids” fazem o papel de símbolos, ou seja, se uso o “solid,” dispenso o símbolo. Dificilmente encontraremos uma boa marca que junte símbolo, tipologia diferenciada e slogan alegórico num só conjunto. Aqui a marca toda briga entre si, e o menor culpado é o “solid”, mas como é o tema da coluna, pau nele, rererere...