TIPOLOGIAS
Terça, 23 de Outubro de 2012
MARCAS SCRIPT
MARCAS MANUSCRITAS, ASSINATURAS CORPORATIVAS.

Por vezes fico imaginando o checklist mental de um designer ao sentar-se para criar uma marca:
Ler atentamente o briefing, identificar os pontos fortes a serem destacados, conceituar, definir um padrão de identidade tipográfica, estudar as cores, as formas, a harmonização do conjunto, sua legibilidade, viabilidade, aplicabilidade, enfim, uma série de "policies" que devem (ou pelo menos deveriam) reger todo o processo criativo. Mas o que me deixa especialmente curioso é saber em que momento e de que maneira surge o "insight" que define se a marca a ser criada utilizará uma tipografia moderna, clássica, regular, itálica, com ou sem serifas ou será simplesmente um manuscrito.

Simplesmente um manuscrito, eu já ouvi este termo algumas vezes e desde a primeira vez me causou estranhamento, não pelo manuscrito, mas pelo simplesmente. Se pararmos para observar o padrão de utilização do estilo manuscrito em marcas, certamente iremos nos deparar com situações onde as principais necessidade são: aproximação, humanização, credibilização, fluência, casualidade, classe, refinamento, envolvimento, compromisso, evolução entre outras tantas, e como pudemos ver, estas necessidades não são nada simples, muito pelo contrário, são complexas e requerem atenção. Vejamos um pouco dessas necessidades, e de como o tipo manuscrito pode contribuir em cada uma delas:

Aproximação.

Utilizar estilos manuscritos tende a diminuir as barreiras de assimilação de uma marca, aproximando-a do seu público de uma forma agradável e natural. O fato do manuscrito ser imperfeito, sem padrões duramente definidos é certamente um dos fatores que explicam esta situação. A marca Milka e a P.J. Clarke's ilustram bem o caso, uma um pouco melhor resolvida e bem acabada, outra menos, porém ambas se utilizam deste artifício.

Humanização.

O ser humano tende a se identificar com formas mais soltas e leves, e sempre que uma empresa quer demostrar descontração e jovialidade recorre a este artifício. Tipos mais retilíneos e padronizados não cumprem bem este papel. A Virgin e a Gol marcam presença por aqui.

Credibilização.

Assinatura, estamos acostumados a identificar valor através de assinaturas, que são a forma escrita de se autenticar e validar um contrato e, portanto selar um acordo. Assinar é garantir que algo será cumprido e por isso, contém um grande valor implícito, transferir isso para a marca é torná-lo explícito, um compromisso de qualidade pelo qual vale a pena o risco. A Disney ilustra bem o caso.

Fluência.

A fluidez traz graça e movimento, fazendo da marca um símbolo gráfico ágil, representando muito bem uma situação desenvolta, sem complicações e portanto, extremamente objetiva. Vide a marca Ragdale Hall, linda e de uma simplicidade absurda, mas tentem fazer algo assim e sentirão as dificuldades na pele, é o típico caso de simplicidade ao olhar, tormento ao fazer.

Casualidade.

Nada é mais casual do que um texto escrito de próprio punho, usar isto numa marca é demonstrar que, apesar da ausência das "amarras" geradas muitas vezes por excessos de padrões, pode-se chegar a um resultado organizado e belo como nos casos da Ragdale Hall, Virgin e Oxford.

Classe.

A construção das chamadas "marcas classudas", invariavelmente passa pelo dilema: Usar fontes clássicas serifadas ou partir para as manuscritas? Optando pela segunda opção, o cuidado com a personalização merece atenção redobrada, porque não tem nada mais "manjado" do que simplesmente pegar uma fonte do menu do seu computador, jogá-la lá com o nome que se quer e batizá-la de marca. Se o tipo utilizado for uma fonte comercial, mesmo que alterar se altere algumas características, ainda assim o resultado final ainda guardará o DNA do tipo original, por isso fica aqui a sugestão, tentem sempre desenhar a própria fonte, isto vai gerar um trabalho mais autoral e proprietário, sem contar no grau de exclusividade né?

Refinamento.

Ao utilizar tipos manuscritos, deve-se atentar sempre para o refinamento, a linha divisória entre um tipo bem acabado e um grosseiro é muito tênue e costuma vez por outra pegar muito designer por aí. Ragdalle Hall é refinadíssima, P.J. Clarke's não por exemplo.

Envolvimento.

Despertar o senso coletivo das pessoas, é neste aspecto que também atuam as marcas que usam tipos manuscritos, para isso sempre aparecem envoltas em tarjas esvoaçantes como a Sara Lee, ou sólidos orgânicos e volumosos como a Bauducco. Coletividade aqui entenda-se uma empresa gigantesca que depende de inúmeras pessoas na sua cadeia produtiva, porém todas elas compromissadas com um só objetivo, a produção em larga escala, sem perder o toque artesanal. Trocando em miúdos, seria como se ao utilizar um tipo clássico serifado uma determinada marca dissesse: Possuo um bom produto, me preocupo com você, porém meus métodos priorizam a quantidade, enquanto um tipo manuscrito diria praticamente a mesma coisa trocando a palavra quantidade pela qualidade.

Compromisso.

Subjetivamente somos levados a crer que uma marca manuscrita firma conosco um compromisso mais forte do que as outras. Verdade? Nem sempre, mas o compromisso sim, é um dos grandes valores a serem transmitidos, isso sem dúvida. Pensem na marca Greenpeace sem o tom pessoal de assinatura que ela possui? Perderia muito, provavelmente precisaria de um símbolo de apoio cativante como o panda da WWF, enfim, seria menos. Hoje ela é mais.

Evolução.

Nada exprime mais o sentimento de evolução do que um manuscrito, é sempre dinâmico, mutante, se transforma a todo momento, evolui com a gente, mas também guarda aquele sentimento de que somos humanos, imperfeitos e buscamos nos outros o complemento para nossos defeitos. Assim são as marcas manuscritas, belas, compromissdas, valorosas, mas também possuem defeitos, como: legibilidade ruim, reduções limitadas, assinam mal em mídias eletrônicas, e sempre carregarão aquele ar datado de sempre.

Por isso que aquele "insight" lá do início era tão importante, lembra? Rerere...

Texto originalmente publicado na REVISTA RECALL.
 
Publicado por Marcelo Tomaz às 09:37 AM   comentários [ 0 ]
Quinta, 03 de Setembro de 2009
TOYOTA IQ FONT
Uma fonte exclusivamente desenhada por 2 tipógrafos, 1 piloto de corrida e um carro. Do estilo da fonte gostei mais ou menos, mas da produção, estratégia e principalmente do conceito, aí sim matou a pau.

iQ font - When driving becomes writing / Full making of from wireless on Vimeo.




 
Publicado por Marcelo Tomaz às 02:54 PM   comentários [ 0 ]
Quinta, 30 de Julho de 2009
TESTANDO FONTES
SANS SERIF

Indicação de fonte para massas de texto: PF DIN DISPLAY PRO THIN, bela fonte com personalidade, certamente vai valorizar seu trabalho.

A AGENDA LIGHT já não gosto, possui uns cortes inclinados que dificultam a harmonização no layout. Quem sabe num título? Quem sabe...

 
Publicado por Marcelo Tomaz às 02:53 PM   comentários [ 1 ]
Terça, 05 de Maio de 2009
TIPOS
Para quem gosta de tipos, estes são um prato cheio.

 
Publicado por Marcelo Tomaz às 07:21 PM   comentários [ 5 ]
Terça, 25 de Novembro de 2008
IDENTIDADE TIPOGRÁFICA
Isso é o que eu chamo de identidade tipográfica, vejam esta fonte criada pelo holandês Jonathan Looman.

Eu curti.... mas não vale pedir pra utilizar em massas de texto hein.


 
Publicado por Marcelo Tomaz às 09:05 PM   comentários [ 0 ]
Quinta, 02 de Outubro de 2008
KERNING, ESTE ESTRANHO
Para os que passam batido pelo ajuste de kerning, talvez sirva de alerta. Para os que acham que "kerning" é alguma marca de sucrilhos, é favor desconsiderar o post.

Agora quem sabe do assunto, entende a importância, ah se entende.


 
Publicado por Marcelo Tomaz às 07:57 PM   comentários [ 7 ]
Segunda, 12 de Maio de 2008
FONTES, ESSAS ESTRANHAS
Na tipografia, as fontes são organizadas em 4 grupos: as com serifas, as sem serifas, as cursivas e as fontes dingbats.

Toda fonte é composta por elementos variados, como:

- Linha de Base (baseline)
- Linha Central (meanline ou midline)
- Ascendente (ascender)
- Descendente (descender)
- Letra Caixa Alta (upper-case)
- Letra Caixa-baixa (lower-case)
- Altura de x (x-height)
- Cabeça ou Ápice (apex)
- Serifa (serif)
- Barriga ou Pança (bowl)
- Haste ou Fuste (stem)
- Montante ou Trave (diagonal stroke)
- Base ou Pé (foot)
- Barra (bar)
- Bojo (counter)

Complexo né?

Saudades do caderninho de caligrafia do colégio, rerere...


 
Publicado por Marcelo Tomaz às 04:18 PM   comentários [ 14 ]
Quarta, 30 de Abril de 2008
MARCAS LETRADAS
Um belo "manual" de como criar marcas utilizando somente fontes. Tem muito "lugar comum" mas também tem bastante coisa interessante nesse site, CLIQUE AQUI E VEJA MAIS.


 
Publicado por Marcelo Tomaz às 05:37 PM   comentários [ 0 ]
Terça, 29 de Abril de 2008
SCRIPTS UP AND DOWN
SERVIÇO DE UTILIDADE PÚBLICA DO BLA:

Uma fonte FEIA e EXTREMAMENTE DESGASTADA, enfim BATIDA mesmo, enfrenta outra REFINADA, CHEIA DE PERSONALIDADE e um "quê" de EXCLUSIVIDADE bem interessante...

Quem é quem?

Rererere...

 
Publicado por Marcelo Tomaz às 07:21 PM   comentários [ 0 ]
Sexta, 04 de Abril de 2008
SANSA X COMIC SANS
Besta e bestial, juntas num só post.

A SANSA, criada por Fred Smeijers da OURTYPE, é um belo exemplo de fonte refinada, que pode ser bem utilizada em inúmeras ocasiões, serve tanto para títulos quanto para "massas de texto" sem perder o seu refinamento e classe. Moderna, com ótimo acabamento nos detalhes e curvas que fazem dela uma bela opção para os "modernosos" de plantão.

COMIC SANS, bem, aqui o culpado foi Vincent Connare a pedido da MICROSOFT. Hoje essa fonte é uma praga no mundo todo, basta surgir um job com características infantilóides e "PIMBA" lá está ela, fazendo a alegria do pessoal. Como diz um amigo meu, "MELHOR USAR COMIC SANS DO QUE MORRER QUEIMADO".

Será?


 
Publicado por Marcelo Tomaz às 04:41 PM   comentários [ 7 ]
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