Uma empresa nacional com um portifólio de marcas invejável, uma política de aquisição agressiva, uma capacidade de investimento altíssima e uma ousadia digna de poucos. A Hypermarcas ganha mais território a cada dia pela amplitude de sua atuação, em áreas que vão do setor alimentício ao químico, num piscar de olhos.
Se você possui um negócio, seja ele qual for, estruturado e estabelecido, ou não, com uma marca que ofereça um bom apelo comercial, então pode ser vítima da Hypermarcas. Sim, a gigante investe de uma forma ampla, não costuma dar pistas de seus passos futuros, lição óbvia de mercado, e também não costuma adotar padrões de investimentos. Se ela identifica bons negócios, pronto, vai lá e investe. A palavra aquisição talvez fosse mais adequada do que investimento, visto que historicamente a Hypermarcas compra marcas, para depois investir nelas.
O processo de gestão do seu portifólio não deve ser uma tarefa das mais simples, visto a diversidade de segmentos, mercados e públicos, seus perfis e preferências. Muitas vezes nesses exercícios de adivinhação, tento imaginar uma reunião estratégica onde se decide o futuro de tantas marcas importantes reunidas, as nuances e os dilemas que afetam as decisões, se vendem ou compram, se separam ou convergem, se popularizam ou elitizam, enfim, cada decisão implica num resultado, e quem garante o melhor?
Tamanho é documento?
A Hypermarcas pode ser definida com vários adjetivos: múltipla, agressiva, ousada ou, para mim o melhor, gigante. Todas as cifras em torno dela são respeitáveis, todas as decisões envolvem uma carga de responsabilidade digna de deixar o mais frio dos executivos de cabelo em pé. E ainda o maior detalhe: tudo tem que funcionar perfeitamente e retornar de forma rápida aos seus acionistas como dividendos, claro. Quando abriu o seu capital na bolsa, esta gigante causou alvoroço. Hoje, numa relação mais equilibrada, podemos sentir melhor os resultados, avaliá-los de forma serena e quem sabe investir nela?
Quando tudo é diverso, como decidir?
Quando se tem em mãos produtos e marcas tão distintos entre si e que variam tanto de um para outro, como estabelecer padrões de decisão? O que é bom para um determinado setor pode revelar-se desastroso para outro. Como antecipar estas situações e evitá-las? Contratar técnicos especializados pode ser uma forma interessante e segura para resolver este problema, mas provavelmente inchará a estrutura, dificultando a tomada de decisões rápidas, pelo fato de que estes técnicos terão de ser ouvidos em cada parte do processo decisório. Outra maneira é criar uma sistematização gerencial que aja da mesma maneira, em cada produto ou marca de setores distintos; uma fórmula que consiga diagnosticar problemas e oportunidades, seja na venda de um shampoo, no apelo da embalagem de um antiácido ou até mesmo no design de uma embalagem de graxa de sapatos.
Decidir friamente.
Decidir comercialmente, com foco em números e curvas de gráficos, sem sucumbir aos apelos da emoção digna dos criadores de marcas que existem por aí, é um caminho seguido por muitos grupos de investimento pelo mundo afora. Normalmente a receita é a mesma: compra-se uma empresa ou marca num momento de crise, faz-se uma reformulação de forma capaz de deixá-la atraente e, de preferência, saudável finaceiramente e vende-se. A Hypermarcas também é assim, com o diferencial de na maioria das vezes não vender suas marcas, só comprar, comprar, comprar.
Atenção igual para todas.
Aqui a discussão me remete a famosa pergunta: quem não tem um filho predileto? Num universo tão amplo e de escolhas tão múltiplas é óbvio que existam marcas mais ou menos importantes. Ao passarmos os olhos pelo portifólio, vemos marcas com grandes e maciças mídias, outras médias que atuam em setores bastante segmentados e outras tantas que já tiveram força maior em outros tempos, mas que na minha opinião, com um simples assopro de investimento podem voltar a ativa, serem rentáveis e o melhor, num curtíssimo espaço de tempo.
Coragem na hora certa.
Após a bem sucedida venda da Arisco para a americana Bestfoods, o empresário João Alves de Queiróz Filho (Júnior. Mas afinal, é Filho ou é Júnior?) não pensou duas vezes e investiu parte do montante em novos empreendimentos. Um deles, o mais famoso, a compra da Assolan. Aquela esponja de aço que por meses dançava e cantava pelas telas da TV brasileira, foi a peça-chave dessa nova fase de sucesso. Quando tudo apontava para que ele sossegasse, não sossegou. Apostou e ganhou.
Acelerar ou brecar?
Historicamente, em momentos importantes de sua trajetória a Hypermarcas acelera. Jogando sempre para ganhar, a empresa arrisca, movimenta, impõe-se e, invariavelmente, obtém sucesso. Suas ações de marketing, se não primam pelas inovações, trilham os caminhos da comunicação de massa, adequado ao seu público e com retorno garantido. Vide o patrocínio gigantesco ao Ronaldo, que também acabou sobrando para o Corinthians, tdentro da fórmula dos muitos testemunhais e muitas fotos do craque pelas ruas. Gostaria bastante de ver a empresa de aventurando pelos lados de um público mais exigente para perceber as decisões estratégicas nestes momentos. Algo como a Hypermarcas gerenciando a Apple por exemplo? Rerere...
Hierarquizando investimentos.
Renovar embalagens de alguma marca da linha de perfumaria, divulgar maciçamente a aquisição do novo laboratório de medicamentos no interior do país, ligar para o Ronaldo e saber se ele gostou do novo uniforme do time com a marca do desodorante nas axilas, ou definir a paleta de cores da nova linha de esmaltes referência em inovação? São algumas das decisões que permeiam o dia-a-dia dos executivos que fazem da Hypermarcas o que ela é hoje. Escolher aonde colocar suas moedas nunca é fácil.
O design e as marcas.
Design é adequação, é forma, é função, é apelo estético, comercial, emocional, enfim, design tem uma participação enorme nos porquês das decisões de compra de cada um de nós a todo momento. Analisando as marcas do portifólio da Hypermarcas, temos instantaneamente a percepcão de valor que dão para cada uma delas. Algumas acabaram de passar por revitalizações, outras andam esquecidinhas num canto do site, outras se adequam a um novo público, muito mais exigente e informado. Enfim, a Hypermarcas precisa de design assim como precisamos de ar, simples assim. E ao que parece, sabem disso.
Aos interessados: www.hypermarcas.com.br
Texto originalmente publicado na REVISTA PUBLISH edição 106.
Belas embalagens da Mind Design/Tom Dixon para a Lacoste. Numa dessas pesquisas acabei por encontrá-las e havia me esquecido do quão legais eram. Uma com foco mais techno, outra mais eco...
Vejam que ação interessante criada para divulgar o SAFARI PARK BEEKSE BERGEN (Holanda). Disfarçar cachorros de leões, e passear com eles pelas ruas foi demais.
Chama a atenção, é original, criativo e claro, NÃO OFENDE MINORIAS, rerere...
Desenvolvido pela CATO PURNELL PARTNERS da Austrália, este sistema de identidade para os aeroposrtos de Dubai é simplesmente lindo. Posicionando Dubai no centro do mundo, a solução gráfica é de deixar a gente de queixo caído, cores, formas, tipos, idéia, tudo se complementa e constrói uma identidade como poucas.
Trabalhos como esse, devem servir de exemplo para que possamos expandir nossos limites criativos, e assim, sem medo de ousar, "construir novas referências" para outros que vem por aí.
Eu disse "CONSTRUIR NOVAS REFERÊNCIAS" hein, como os caras fizeram, e não copiar o trabalho deles, mudando alguns "SEIS" por "MEIA-DÚZIAS" e sair estufando o peito por aí.
Novas embalagens e arquitetura de marca do rum MALIBU para seus novos sabores. Projeto desenvolvido pela BRAND UNION e isso já indica qualidade, mas sempre vale a pena a gente dar uma olhada pra conferir, né?
Eu gostei bastante dos gargalos nas cores dos novos sabores, a garrafa branca é um patrimônio dos caras e ninguém tasca, forte como a bebida.
BOM OU RUM? (foi mal, não resisti ao trocadilho...)
Vejam a arquitetura de marca do HOLIDAY INN que era utilizada até meados deste ano. Serve como referência de que padronização nem sempre é uma "fôrma" da qual saem somente resultados idênticos. Eu acho meio bagunçada, mas enfim, está no mundo, literalmente...
Com a mudança de marca, ainda não consegui toda a NOVA arquitetura, mas estou na luta, assim que tiver, posto para vocês.
Percebendo o quanto a NBA ganhava espaço através não só das suas estrelas, mas de sua organização e claro, uma estrutura de markenting extremamente profissional, a FIBA resolveu entregar à INTERBRAND a missão de colocar a sua marca a altura da sua "rival" americana. Com o aumento do intercâmbio e todas as formas de comunicação cada vez mais ágeis e sem-fronteiras, o diferencial técnico dos jogadores americanos, cedo ou tarde perderá muito de sua força. Percebendo isso a FIBA investiu na modernização de sua identidade, criando inclusive submarcas para serem utilizadas em cada continente, para que num curto espaço de tempo, possa ser uma entidade não apenas técnica e organizacional, mas uma boa opção de MARCA, que possa ser "consumida" por cada vez mais pessoas adeptas ou apenas fãs do basquete.
Tecnicamente eu tinha dúvidas quanto a aplicação dessa estrutura de marca em negativo/traço ou mesmo com interferências de cores ao fundo, mas no site da FIBA existe um belo e vasto material disponibilizando suas diretrizes de uso, mas já vou avisando, o material completo está disponível numa área restrita, apenas para cadastrados, uma pena.
Taí, mais do que uma marca, uma estrutura completa de identidade que aprendi a gostar, apesar de existirem por aí algumas idéias com soluções bem semelhantes como no caso das mãozinhas do PERCPAN, publicado aqui anteriormente.