Depois vão sair dizendo que eu é que sou chato, vejo coisas aonde não existem e que todos tem o direito de criar algo semelhante a outras criações pelo menos uma vez na vida. Vejam os detalhes da textura em ambos, o último APENAS usou um FILTRO DO PHOTOSHOP (TEXTURIZER / CANVAS seria esse?) tal qual, assim nu e cru, sem maiores delongas, por isso deve ter ido embora para casa cedo, né?
Em 2006 já achava esta linguagem batida, agora (quase 3 anos depois) sei lá, de repente está voltando né?
Como a moda, cíclica....
E olha que eu até acho que houve uma ENORME melhora se compararmos visualmente as campanhas atual e passada do Barão de Mauá, quem não se lembra "DA VIRADA DA SUA VIDA?"
TSUNAMI MEMORIAL é a marca de um concurso internacional de arquitetura para a concepção da campanha do museu/memorial em Khao Lak-Lamru na Tailândia. Selecionado no WOLDA 2008 para mim, esta marca tem pouquíssimo valor do ponto de vista da personalidade, a idéia em si é boa, mas a execução catastrófica (sem trocadilhos).
O que pesou contra a marca na minha opinião?
A completa falta de cuidado do seu criador ao simplesmente usar uma fonte existente (BASE 02, boa por sinal), sem nenhum diferencial, nada mudou da fonte original, nem mesmo os "ruídos" de desgastes, nada. Simplesmente digitaram o nome, escolheram uma fonte que representasse a idéia e pronto, tsk, tsk, tsk...
Obviamente não passaria despercebida essa OBRA-PRIMA do design europeu. Criada pela inglesa English&Pockett, cheia de significados e com um discurso muito bem alinhado ela só desafina quando o assunto é VISUAL.
Vejamos algumas justificativas da marca:
A parte superior representa os alpes, a bola "retalhada" o futebol e os participantes, a cor vermelha simboliza a "força" da competição enquanto o verde, a natureza privilegiada da região anfitriã.
Como disse, as justificativas são boas, mas a marca, hum... é de doer. Na minha opinião, existem mil maneiras (homenagem ao Neston) de preparar uma boa marca tendo como base este discurso, esta não é uma delas.
Mais uma daquelas situações delicadas de naming, CHANA MOTORS, falem sério comigo, sabendo da conotação da palavra CHANA aqui no Brasil, não seria interessante uma adaptação no nome da empresa, mesmo que só aqui, nesse país mulato e inzoneiro?
BESTA, CHANA, PICANTO, esse pessoal tá de brincadeira, né?
Para ilustrar melhor este post, separei duas marcas do segmento infantil, que considero bons exemplos das duas categorias, associei-as a alguns elementos aleatórios que podem ajudá-los nessa árdua tarefa de separar o "joio do trigo".
Eu simplesmente não acreditei quando me deparei com o "pré-logotipo" e depois com o "logotipo oficial" da candidatura da cidade do Rio de Janeiro para os jogos de 2016.
Depois do Pan, me parece que estabeleceu-se uma fórmula mágica para a criação de identidades gráficas nacionalistas, "carioquistas" e tropicais. Bastam pitadas de laranjas e azuis (céu, mar, sol...ai, ai...), algumas referências ao relevo da cidade "maravilhosa" e uma espécie de giro ou inclinação em alguma das letras componentes da marca e, pronto, lá está criada a marca que nos defenderá contra tudo e contra todos na árdua batalha mundial pelos Jogos Olímpicos de 2016, será?
Vejam estes exemplos que não deixam a menor dúvida quanto ao nível de profissionalismo, cuidado e senso estético apresentado pela também pré-candidata Chicago em relação com a sua adversária tropical.
Resultado de um concurso interno para reformulação da identidade visual da CEDAE (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro) esta marca é um tributo ao "produto interno bruto" de cada um de nós. Concordo com o Armando Fontes do site DESIGN GRÁFICO quando ele diz que a CEDAE puxou a descarga, e ainda usa os termos DESORIENTAÇÃO, FRAGILIDADE E DESCASO quando fala a respeito deste trabalho.
Realmente, projetos de GRANDE RESPONSABILIDADE nunca são definidos através de concursos internos abertos a toda sorte de participantes, capazes, incapazes, curiosos, aventureiros e talvez até quem sabe, talentosos... (talvez... até.... quem sabe....)
Bom, que tal falarmos um pouco sobre marcas que utilizam Crocodilos como símbolos?
Algumas perguntas podem nos ajudar a entender um pouco mais sobre os posicionamentos das duas marcas, o perfil dos seus consumidores, suas estratégias de mercado e claro, sua preocupação com a própria imagem. De antemão aviso que entendo perfeitamente que são marcas de segmentos distintos para públicos distintos e talvez o seu único ponto em comum seja o fato de possuirem crocodilos como símbolos.
Ok, pra mim já é o suficiente para este post, vejamos então:
1. Quem discorda sobre a comparação entre duas marcas de segmentos distintos, discorda porque:
A- A Lacoste merecia um embate com, no mínimo o Crocodilo Dundee (benchmark?)
B- O Crocs é incomparável (miopia?)
C- Acha que estou com falta de assunto (ócio criativo?)
2. Deixando de fora a aparência pouco convencional dos seus produtos e o senso estético duvidoso dos seus consumidores, o Crocs faz sucesso por quê?
A- É lindo e faz lindo seus donos (co-branding)
B- Se posicionou de forma inovadora num mercado que dita tendências (efeito cascata)
C- A criançada, seu maior público, adora Melissa e tênis com luzinhas piscantes, daí convencê-las da beleza de um Crocs foi moleza (mkt infantil?)
3. Simpatia e durabilidade de um lado, estilo e garra de outro, o crocodilo parece mesmo seduzir aos donos dessas marcas porque:
A- Posiciona-os perante os seus (mkt pessoal)
B- São facilmente reconhecidos e isso transfere glamour ao seu dono (powerbrands?)
C- Nada disso, são confortáveis, despertam desejos e utilizados juntos fazem dos seus usuários referências em estilo (desejo aspiracional?)
DUAS BESTAS E UMA BESTIAL, OU TUDO FARINHA DO MESMO SACO?
Separei estas 3 marcas bastante conhecidas para falarmos um pouco sobre originalidade. Qual o limiar determinante para que uma marca seja considerada "original"?
Concordo EM PARTE com muitos criadores, que defendem sermos influenciados o tempo todo pelo meio em que vivemos, e por isso, basicamente não criamos nada "completamente original", mas sim, releituras das referências a que fomos expostos. Daí a pergunta que não quer calar:
NADA NOS RESTA A NÃO SER, REORGANIZAR ELEMENTOS JÁ CRIADOS ANTERIORMENTE PELOS NOSSOS ANTECESSORES, OU AINDA PODEMOS TER ESPERANÇA DE QUE HAJA ALGO NOVO E INÉDITO DENTRO DAS NOSSAS CABEÇAS, PRONTO PARA SAIR DE LÁ E GANHAR O MUNDO?
Quanto as 3 marcas aí em cima, pelo menos serviram para ilustrar este post, rerere...