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Quinta, 25 de Setembro de 2014
SÉRIE SOBRE A PROPAGANDA - REVISTA RECALL
 
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Quinta, 25 de Setembro de 2014
MARCAS INTELIGENTES.
MARCAS INTELIGENTES... E AS OUTRAS.

Vou direto ao ponto, olhem as duas colunas e me digam o que vêem? É bastante provável que percebam até com alguma facilidade, a diferença abissal existente entre uma e outra. Uma possui conteúdo, oferece inteligência, extrapola, sai da mesmice, une idéias, se utiliza de uma linguagem rica, brinca com os elementos de forma agradável e harmoniosa, enfim, é boa.
A outra? Bem, a outra é um arremedo de tentativas de se fazer design. Um show de horrores, uma aberração, um amontoado de elementos gráficos dissonantes, aonde cada um joga contra os demais, nada funciona de forma integrada, seus conceitos, quando existem, são rasos e beiram a infantilidade, ou seja, é ruim.

Isso posto claramente, vou promover alguns questionamentos acerca delas, para que possamos pensar um pouco nos processos de construção, valores e quais os graus de profundidade conceitual que devemos aplicar ao criarmos uma marca. Vejamos:

- Na marca ALE, qual o grau inovativo que este conjunto multicolorido oferece ao setor? Em que ele ajuda a marca a se diferenciar da concorrência? Existe um conceito implícito? Se sim, qual seria? Será que no briefing estava descrito que a marca poderia ser tudo, menos bonita?

- No logotipo ALPHAVILLE, apesar de ser a versão antiga, eu tive que resgatá-lo, pois uma pergunta nunca me calou: Mas por que diabos, numa marca de empreendimentos urbanísticos está representada por uma esfera prateada envolta por um anel ao melhor estilo saturno? Aonde reside a inteligência disso? Qual a possibilidade de uma pessoa, ao ser exposta a essa marca, saber do que ela se trata, sem uma tagline, ou slogan? Isso vai contra todos os princípios de cognição rápida que uma boa marca necessita.

- INBEV, a letra "i" invertida já demonstra o caminho pelo qual o logo trilhará. Aqui nada é uno, tudo é tão fragmentado e dissonante, que fica difícil encontrarmos argumentos para justificar a criação desta marca. A pergunta que fica é: Mas por que o "i" invetido e em vermelho? Qual a ciência disso? Sinceramente, para mim, nem feng-shui ou numerologia explicam.

- SINOPEC, a estatal chinesa tem uma das marcas mais horrendas que eu já vi na vida. Desde a sua construção gráfica, até o seu apelo conceitual (se é que existe algum), tudo é um desastre. Agora me digam: Para que os caracteres "i" e "n" esticados daquela maneira?

- BOUT'S. O que é que eles tentaram fazer colocando este símbolo no lugar do apóstrofe? Ou melhor, o que é este símbolo? E não me venham falar que ele foi criado visando uma boa aplicabilidade nos calçados não, porque aplicado, ele fica tão ruim quanto aqui.

- MINDS. Por que o "i" dentro deste solid vermelho? Apenas utilizá-lo em outro tom, sem o solid por trás já não era o suficiente? Me falem, em que ele contribui aqui?

- GAP. Essa, de tão ruim, já nasceu morta. Então fica a pergunta: Por que nasceu?

Quanto as demais, do outro lado da coluna, ficam os meus mais sinceros aplausos: clap, clap, clap... e nada mais.


Texto originalmente publicado na revista Recall.
 
Publicado por Marcelo Tomaz às 02:02 PM   comentários [ 1 ]
Terça, 12 de Agosto de 2014
COPAS...
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DESIGN EM TEMPOS DE COPA.
JÁ TINHAM OLHADO PARA A COPA DO MUNDO DE FUTEBOL POR ESTE VIÉS?



Bem, aqui pelos nossos lados, o assunto da moda não poderia ser outro, que não a tão sonhada Copa do Mundo de Futebol, e com isso, muita gente me pediu que falasse um pouco sobre as minhas percepções em relação aos temas, marcas e elementos gráficos utilizados nas diversas edições do evento realizado desde 1930 no Uruguai. Criados para fins de identidade e divulgação, o embrião das marcas das Copas do Mundo, foi o seu cartaz. Esta peça no início, sintetizava toda a essência do torneio, sempre mostrando-o de forma valorosa e agregadora, inclusive com a utilização de belas ilustrações, criadas por artista renomados. Se tentarmos tratar aqui apenas dos logotipos das Copas, provavelmente teremos problemas, pois os logotipos como elementos independentes, começaram a surgir apenas em 1954 na Copa da Suiça, e só depois foram ganhando força, até que em determinado momento, por volta de 1986 no México, começaram a ser mais importantes como imagem oficial do evento, do que o próprio cartaz ( peça que nos dias de hoje, passa quase que despercebida pelo público de um modo geral). É visualmente perceptível a linha evolutiva e os estilos que pautaram a criação de cada identidade dos torneios, algumas mais conservadoras, outras mais ousadas, umas reverenciando o desporto através de interpretações de lances do próprio jogo, enquanto outras seguem a linha de valorizar a cultura local e suas peculiaridades. O elemento comum em todas elas, é sempre a bola, ora óbvia, ora dissimulada, porém onipresente. Abaixo tratarei sobre cada uma das identidades, de forma leve e espontânea, tentando ser o mais claro e objetivo possível. Espero que curtam.

Todas as edições:

1930 - Uruguai
O cartaz, que até então, também servia como marca oficial do evento, foi desenhado pelo artista uruguaio Guillermo Laborde, no estilo Art Deco e representa um lance comum do jogo, que é uma defesa de uma bola chutada ao gol. Percebam a sutileza da bola que entraria no canto superior direito da meta, não fosse defendida pelo arqueiro. Cores fortes e estilo tipográfico extremamente exótico, compuseram o restante do poster. Foi precursor, pioneiro, fez o que ninguém fez, e por isso merece muito respeito.

1934 - Itália
Aqui a representação fica a cargo de um jogador italiano que se prepara para um chute, um lance de ataque utilizado em contrapartida ao de defesa da edição anterior no Uruguai. Coincidência? Será? Ao fundo uma fita de bandeiras dos países participantes completava a obra. Eu particularmente não gosto da cena, pois o jogador me parece desequilibrado e tropeçando na bola, o que é antagônico ao próprio esporte, que prega o controle e o domínio. É o que penso.

1938 - França
Na iminência da Segunda Guerra Mundial o tema escolhido foi o sugestivo domínio do mundo pela bola de futebol. Percebam o tom de imponência ostentada pela ilustração, suas cores avermelhadas e tom sóbrio. Aqui nada é de graça ou está apenas para compor uma cena com fins estéticos. Tudo tem um objetivo e um porque de existir. Pensem nisso.

1950 - Brasil
Depois da Guerra, o torneio de futebol vem para o Brasil, e o melhor, com mensagens subliminares de união e paz. As bandeiras unidas na meia do jogador visavam isso, mostrar um mundo unido em torno do futebol. O cenário carioca ao fundo completava a cena. É um estilo de ilustração que não me agrada muito, acho que está muito contido, certinho demais, algo muito colegial e sem personalidade. Mas enfim, vínhamos de uma guerra e era melhor não polemizar muito.

1954 - Suiça
O gol tomado e a rede estufada aparecem aqui como o tema central do cartaz. Numa ilustração com bastante estilo, o goleiro aparece olhando a bola, como que, se num lamento, pudesse ainda evitá-lo. Acho engraçado o fato dele aparecer com uma espécie de turbante na cabeça. Ao que me consta, goleiros nunca usaram turbante, mas vai saber né? Gosto do conjunto, tende mais para o lado da arte, deixando a transmissão da mensagem em segundo plano, mas é uma bela peça. Esta Copa apresentou ao mundo uma curiosidade, o cartaz deixa de fazer o papel de logotipo, e o evento ganha um símbolo separado, que é um globo terrestre, com uma bola vermelha e o símbolo da Suiça a frente. Seria o fim de uma era em que os elementos gráficos se convergiam todos numa só peça, o cartaz?

1958 - Suécia
Provavelmente o mais feio de todos na minha opinião. Bola, bandeiras, jogador, enfim, o mesmo conjunto de elementos já utilizados antes, porém aqui estão dispostos de uma maneira bem simplória. Não gosto das cores, nem dos tipos e nem obviamente do conjunto final. Acho bem fraco, poderia ter ousado um pouco mais.

1962 - Chile
Em tempos de corrida espacial, o cartaz faz menção ao tema. A bola é um satélite da terra, ou seria vice-versa? Enfim, o fato a ser destacado aqui, é novamente (a primeira foi na Copa de Suiça) a aparição desmembrada do logotipo de uma Copa. Mesmo não estando no cartaz, o logo oficial trazia uma imagem do Estádio Nacional do Chile com um globo e uma bola de futebol atrás. A bandeira do país-sede no centro do gramado completava o cenário. Uma marca repleta de elementos, com pouquíssimo ou nenhum poder de síntese. Digna de crítica, porém era um embrião e somente por isso, merece respeito.

1966 - Inglaterra
Bola dourada, provavelmente antevendo o resultado final daquela Copa, o leãozinho Willie como mascote e a taça Jules Rimet cuidadosamente colocada no centro da Union Jack. Eram todos os elementos necessários para motivar a nação bretã em busca do tão sonhado título mundial. Do ponto de vista do design, tem boa hierarquia de informação, diagramação, tipos claros e objetivos, enfim, cumpre perfeitamente o papel ao que se propõe. O logo desmembrado era composto pela bandeira da Grã-Bretanha, a Taça Jules Rimet e uma bola ao fundo. Soa familiar?

1970 - México
Objetivo, limpo, simétrico, equilibrado, enfim, lindo. Com o lançamento da bola Telstar, provavelmente a mais emblemática de todas as bolas de futebol criadas até hoje, tanto a marca do evento quanto o seu cartaz, ganharam uma boa base temática para suas confecções. Inovou, mexeu, chacoalhou, enfim, revolucionou a forma de se pensar tematizações futebolísticas naquela época. Além do mais, uniu de forma homogênea o logotipo e o cartaz numa só peça. Aplaudo de pé.

1974 - Alemanha* (Ocidental)
Na minha opinião, um retrocesso no quesito design, porém respeito a diversidade de estilos e pensamentos. Aqui uma arte baseada em pinceladas fortes sobre um fundo preto. O cartaz é um tanto soturno e em nada lembra as linhas geométricas e limpas da marca. É a antítese da convergência da marca anterior no México. Esta eu passo.

1978 - Argentina
Eu não consigo olhar este cartaz e não ver o Rivelino e o Magnum comemorando um gol. Brincadeiras a parte, este cartaz é uma bela peça de design. Elogiado mundo afora, costuma agradar a gregos e troianos. Transmite emoção, mensagem e organização. Ponto para os Hermanos.

1982 - Espanha
Joan Miró dispensa maiores comentários. Sai do comum, oferece o novo, dita um rumo diferente do convencional. Isso por si só já me agrada. E o melhor, é muito bonito. As informações não estão óbvias, precisam ser garimpadas e isso pode incomodar um pouco. Eu gosto muito.

1986 - México
De novo apostou na Telstar e nos globos terrestres. Aqui ficou aquém. Se há 16 anos foi inventivo, agora se repetiu preguiçosamente. Trouxe cores óbvias (da bandeira mexicana), elemento óbvio (bola) e mais elemento óbvio (globo terrestre). Apesar de equilibrado, ao meu ver poderia ter ido além. Aqui foi pura perda de tempo. O cartaz desta edição, é totalmente distinto desta linha gráfica, apostando em foto ao invés de ilustração, nesse aspecto teve sim alguma relevância.

1990 - Itália
Mesmo com a Telstar tendo sido aposentada das Copas em 1974, aqui ela ainda permanece no logotipo de forma extremamente forte. Ok, pode ser encarada como um ícone atemporal, mas o fato é que está ultrapassada e deveria ter dado lugar a outra representação. No cartaz, explora-se o principal tema do país (o Coliseu), transformando-o numa arena de futebol, numa junção de ilustração e foto. Cumpriu o papel.

1994 - Estados Unidos
Um show de patriotismo e clichês. De novo a defasada imagem da Telstar ostentada em meio a bandeira norte-americana. Muito azul e vermelho, muitas linhas e pouca parcimônia. Percebe-se que faltou capacidade para unir as características do esporte, como o drible, o chute, a comemoração aos elementos típicos do país sede. Mesmo com todas estas considerações, o logotipo ainda é bem melhor do que o poster oficial.

1998 - França
De novo o que se vê aqui é um rompimento entre o logotipo e o cartaz. Um é pragmático, objetivo, limpo, e o melhor, já dispensa a quase onipresente Telstar, o outro é baseado em pintura humana, multicolorida, remete a festa e alegria segundo os próprios criadores. Os dois juntos, não deu boa liga não.

2002 - Coréia do Sul e Japão
A primeira Copa compartilhada do mundo deve ter passado por diversas provações envolvendo a capacidade de lidar com diferentes culturas e alinhá-las de uma maneira harmônica. Eu gosto dos traços baseados em pinceladas orientais que pautaram a confecção do cartaz. Já a marca, achei muito séria e pouco cativante. Percebo muito mais valor na linguagem do cartaz do que na do logotipo.

2006 - Alemanha
A marca da alegria? O ano 2006 como base criativa para as "carinhas felizes" me agrada, acho um tanto infantil, mas este estilo a partir daqui passará a ser quase que um pré-requisito para quem quiser ter o seu trabalho atrelado a grandes eventos de apelo popular. O cartaz é ruim, a marca boa e nenhum dos dois é sensacional.

2010 - África do Sul
Uma marca ruim, repleta de elementos pouco harmônicos e desagregados, assim é o logotipo do evento. O cartaz, este sim, traz um ar poético e de reflexão. Vale ser visto e o melhor, interpretado. É uma bela peça de design.

2014 - Brasil
Gosto da idéia de posse que as mãos transmitem ao segurarem a taça. É totalmente associada ao Brasil pelo fato de sermos os maiores vencedores e a desejarmos de forma obsessiva. As cores também são boas e até a utilização do vermelho no 2014 deu uma pitada de tempero. Existem muitos comentários maldosos associando a marca ao ato de roubo, o que é compreensível pelo nosso histórico, porém se tratarmos apenas do aspecto conceitual e estético a marca não compromete não. É lúdica, não é óbvia e carrega consigo um ar bem humorado e humano. Segue na linha infantil, que ao meu ver já está bem desgastada e cada vez mais, oferece menos. Aguardemos na Rússia em 2018 para ver o que acontece né?

Para os interessados:
www.fifa.com



Texto originalmente publicado na Revista Publish.
 
Publicado por Marcelo Tomaz às 10:40 AM   comentários [ 0 ]
Segunda, 09 de Junho de 2014
MATTOS FILHO
Quando o naming faz toda a diferença....

Olhem e percebam o quanto um bom nome faz falta.
A adequação é tudo nesta vida.
Nesse caso, este nome cairia como uma luva numa clínica de aborto, nénão?

Rerere...
 
Publicado por Marcelo Tomaz às 01:55 PM   comentários [ 0 ]
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