. Tipos mais arejados, modernos e bem desenhados
. Atitude mais agressiva do leão símbolo da marca
. O metalizado de sempre no segmento automobilístico
. O azul de fundo, muito mais imponente e requintado
Acho que a postura do leão está um pouco estendida demais, mas nada que comprometa o conjunto. Estrategicamente sofisticou, se era esse o caminho a ser seguido, nada a contestar. Se não...
Eu sempre gostei da marca NET, e não é que essa nova também ficou legal?
Modernizou, limpou, organizou, e o melhor, tudo isso em cima de uma base que já era boa.
Clap, clap, clap, para o Robinsson Cravents, autor desta maravilhosa releitura de embalagens de energéticos. Para mim, acertou em tudo, nome, cores, estilo, achei SENSACIONAL, pena que não vai pro mercado, mas, ainda bem que graças a internet, não caiu no esquecimento e nem foi engavetado, gerando assim visibilidade e reconhecimento ao seu autor...
Marcas, nomes, símbolos e suas relações. Quem explica?
Há tempos venho me perguntando qual o nível de participação que o nome possui no sucesso de uma marca. – Enorme, dirão os mais apressados, mas ainda assim mantenho a pergunta, não me contento com essa resposta instantânea que pode saciar a maioria das pessoas, mas a mim não. Existem marcas que possuem nomes diretamente relacionados ao seu segmento de atuação, como por exemplo, telefônica para telecomunicações ou Volkswagen para carros (já que em alemão seu significado é “carro popular”), estabelecendo assim uma relação direta entre nome e segmento de atuação. Outras relacionam seus nomes aos símbolos como Apple, cujo símbolo é uma maçã ou Red Bull e seu touro vermelho, não possuindo relação direta com o setor em que atuam, sendo uma fabricante de computadores e a outra de energéticos. Outra vertente, essa sim, bastante curiosa, é a das empresas que não relacionam seus nomes nem ao seu ramo de atuação, nem ao símbolo da sua marca, dificultando uma explicação clara sobre o seu sucesso, seja do ponto de vista de naming ou costrução do símbolo. Bem, abaixo separei algumas marcas reconhecidas nacional e internacionalmente, para falar um pouco sobre essas relações, que podem influenciar positiva ou negativamente o desempenho de uma marca, porém mensurar a amplitude desta relação de uma forma clara, não tem sido uma tarefa fácil. Vejamos alguns casos de:
Marcas que relacionam o nome ao segmento de atuação:
Telefônica.
O nome remete diretamente ao negócio da empresa, sem rodeios, ajuda bastante na identificação por parte de quem ainda não conhece a empresa e seus produtos, porém não possui grande apelo emocional, é frio e objetivo. Ela vai na contramão de outras empresas do setor, como Vivo, Claro e Oi que apostam numa nomenclatura mais emocional, em busca da simpatia do público em primeiro lugar, depois sim, vem o que realmente fazem. Aqui ambos mostraram grandes resultados, mas a tendência pende para o lado emocional, que é o que o povo gosta.
Volkswagen.
Como já disse, outro que vai direto ao ponto, mas com a passagem do tempo e a diversidade de produtos, o tal “carro popular” tornou-se apenas mais um item, dentre outros não tão populares assim, mas ainda tem lenha para queimar e conta com uma imagem bem fortalecida por aqui, resquício dos tempos dos nossos antepassados que não tinham grandes opções na concorrência para efeito comparativo. Uma hora perceberão que não são mais o último Bis da caixinha.
Burger King.
Esse parte para o lado oposto da Volkswagen, deixa o “popular” de lado, e invoca a força monárquica para avalizar seu principal produto, o hamburguer. Falta de modéstia com foco na concorrência, que esbanja seguidores por aqui e pelo mundo. Luta árdua.
Airbus.
Fabricante de aviões, e se estabelecermos que o avião nada mais é do que um “ônibus aéreo”, pronto, eis mais um case de naming sem romantismo, mas muito adequado. Como o setor não é muito afeito a nomes emocionais, e sim a siglas e sobrenomes, até que Airbus não é ruim não. Sem graça, mas não é ruim.
Petrobras.
Essa está na moda hein? Tentaram mudá-la em 2000 para Petrobrax, mas deram com os burros n’água. Bem, Petróleo + Brasil, e o resultado já conhecemos bem, é a menina dos olhos do nosso presidente, isso por si só já basta.
Fototica.
Mudou de nome e marca neste ano, e para melhor. Como atua no setor de foto e ótica, a junção das palavras era de um magnetismo irresistível, assim como quando um casal chamado Mário e Cleide registram sua filha como Maricleide, sentiram o drama né?
Mastercard.
Mais um caso de egocentrismo, “Master”card, o mestre dos cartões, não deixa dúvidas sobre o seu core business, e nem sobre a sua competência, afinal, “Master” é master né?
Marcas que relacionam o nome ao símbolo:
Apple.
Ela fabrica e vende computadores, tocadores, telefones, é sinônimo de vanguarda, dita rumos para milhões de seguidores, e no final das contas chama-se “Maçã”. Justificativas para o nome existem várias e já estamos cansados de ouvi-las, mas era necessário muita coragem para bancar este nome há 25 anos não é mesmo? E não tenho dúvida de que se fosse “Pineapple” seria o mesmo sucesso atualmente.
Red Bull.
Mercado de energéticos, quando normalmente pensaríamos em nomes que oferecessem estímulos mais diretos aos jovens que são a base de consumo deste produtos, como “Power”, “Electro” ou “Storm”, vem a Red Bull com um singelo, rerere, ok, nem tão singelo assim, “Touro vermelho” e arrebata muitos ou quase a totalidade dos seguidores da Apple, (pois prestem atenção, quem usa Apple, usa Red Bull e com a mesma e assustadora fidelidade) ainda bem que não são concorrentes né?
Montblanc.
Símbolo do “Mont Blanc” visto de cima, com sua camada de neve no cume. Ok, nome e símbolo unidos em busca do resultado positivo, juntamente com o grupo fechado e motivado, certamente tem colhido ótimos resultados. Sinônimo de status e ostentação, é o calcanhar de Aquiles dos empresários emergentes ou corretores e advogados de algum sucesso. Ponto para a Montblanc, que trabalha muito bem o aspiracional dessa fatia de mercado e mantém sua rentabilidade lá no topo.
Shell.
Um empresa do setor petrolífero e uma concha como símbolo. Graficamente acho um símbolo forte, bem desenhado e com uma combinação de cores bastante forte, mas pensem em português, uma empresa chamada “Concha”, quem apostaria nela? Coisas da vida...
Puma.
Tem apostado no design e tem colhido ótimos resultados nos últimos anos. A obviedade da sua marca que alia o “Puma saltitante” ao nome, não parece influenciar negativamente em nada. É cada vez mais desejada e o Puma salta cada vez mais longe.
Jaguar.
Mesma receita da Puma, só que o saltitante aqui é outro felino, a marca tem derrapado feio no mercado mundial. Quem sabe uma mudança radical nessa relação óbvia de nomenclatura x símbolo que aqui mostra-se deficiente possa contribuir positivamente com a causa?
Itaú.
Foi assim, um banco + solidez + nome simples, daí nasceu o Itaú, que em tupi-guarani significa “pedra escura” e isso justifica a aplicação no nome dentro de um “solid” antes preto, hoje azul escuro. A receita deu certo, mas ainda assim, o Itaú é atento a sua marca e faz ajustes frequentes, sempre visando melhorá-la.
Marcas que aparentemente não relacionam nada com nada:
Lacoste.
Uma grife esportiva ou uma marca sofisticada de moda? Qualquer uma das duas classificam a Lacoste muito bem. Então vejamos, moda, esporte, sofisticação, e o resultado é o nome “Lacoste” sobrenome do seu criador, o ex-tenista francês René Lacoste e o símbolo um... Crocodilo? Quem garantiria que essa combinação daria certo? Eu não, e você?
Nokia.
O nome vem de um mamífero finlandês, o primeiro logotipo era um peixe, atua no segmento de celulares e é um sucesso mundial. Quem explica?
Diesel.
Italiana, teve seu nome pautado na fonética que é a mesma em todo o mundo, um ponto bastante relevante para o sucesso de uma marca, vide a diferença de pronúncias mundo afora. Mas só isso ainda não garantiria nada, o nome Diesel para vender jeans teria que inspirar sucesso e para os donos inspirava e bastou.
Adobe.
Adobe significa tijolo cru, feito artesanalmente e de baixo custo. Também era o nome de um riacho que ficava próximo da casa de um de seus fundadores, por isso optaram por batizar sua empresa com o nome. Mais uma vez a pergunta, em que o nome ajudou no sucesso desta empresa? Aonde entram tijolo ou riacho na marca? Difícil né?
Giraffas.
Nasceu em Brasília, criada por dois estudantes em 1981 que acharam o nome Giraffas com duas girafinhas na marca substituindo as letras “F” algo genial. E não é que estavam certos. Certamente o “feeling” falou mais alto por aqui, ah falou.
Ponto Frio.
Nasceu como Globex, mas por uma dessas ironias do destino, um de seus produtos, um refrigerador importado fez tanto sucesso nas vendas que acabou deixando a loja conhecida como Ponto Frio, e daí por diante foi só expandir o Ponto Frio pelo Brasil afora. Um produto rebatizando uma loja, parece o rabo balançando o cachorro, mas se deu certo, quem questiona?
Gol.
Essa palavrinha é o xodó do brasileiro, é simpática, vem do futebol, o nosso orgulho, a nossa paixão e por isso o que tem de gente pegando carona nela não é mesmo? Bem, aqui até companhia aérea beliscou uma fatia do poder desta palavra, que se não tem nada a ver com aviação, aproxima a companhia do brasileiro e isso não tem preço, ou tem, mas na Gol, ele é baixo... ou era, rerere...
Texto originalmente publicado na REVISTA PUBLISH edição 105.